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Alemanha, imagens de sítios no Breisgau, ou terra dos Margraves de Baden

Texto do artigo publicado “Badische Zeitung” de 14 de Outubro de 1992, da autoria de Patricia Günther, com tradução feita por Renato Correia

Cada janela, um palco

José da Costa Brites expõe na Volksbank de Staufen

Uma atmosfera irreal paira sobre as ruínas do castelo; as cenas em redor da Porta dos Suábios, em Freiburg, tão vazias de pessoas que se tornam inquietantes, ou as cenas das ruelas de Staufen, perdidas em românticos devaneios, mais fazem lembrar cidades-fantasma. As obras do pintor português José da Costa Brites parecem frias, quase assépticas, tal é o rigor do desenho. Sejam traços ou formas geométricas, cada elemento surge aqui – como num esboço de arquitecto – calculado e inserido com absoluta precisão, nada é deixado ao acaso.

À primeira vista, estas minuciosas representações pictóricas, que podem ainda ser visitadas até ao dia 23 de Outubro na Volksbank de Staufen, afiguram-se plenamente naturalistas. Ao contemplá-las, involuntariamente as associamos com uma fotografia, a não ser pelas cores às vezes um tudo nada gritantes…

E no entanto salta, por assim dizer, aos olhos do observador, com igual veemência e acuidade, que o artista recusa essa interpretação; o que ele pretende reproduzir nas suas obras não é, de modo algum, a realidade sensorial, são antes processos psíquicos – a cidade enquanto imagem complexa da sua cosmovisão, uma paisagem anímica em que o ex-bolseiro do Goethe-Institut funde experiências pessoais com o “clima cultural” local.

É de variadas maneiras que o artista cifra as suas mensagens, em acrílico sobre tela. Os motivos realistas são tornados estranhos pelo uso de tons berrantes, como pela adição ou omissão de pormenores. Com subtileza, por vezes com uma ironia subterrânea, o pintor português cria contrastes estruturais e temáticos prenhes de simbolismo. Uma ponte ferroviária representa a tensão conflituosa entre o progresso técnico e a natureza intocada.

Desde logo na tradução pictórica se manifesta um vivo interesse pela arquitectura e pela cultura. Além disso, os contactos de Costa Brites com o Goethe-lnstitut, bem como a sua anterior actividade de intérprete diplomado, explicam a relação intensa que mantém com um pais estrangeiro e a respectiva mentalidade dominante.

Apesar da atmosfera de soturnidade envolvente, a sua obra é marcada pelo optimismo e por uma filosofia muito pessoal; para o artista, a cidade configura um “lugar de paz, de encontro connosco próprios”. Assumindo quase o papel de embaixador, é seu desejo fornecer, não impressões turísticas, mas “um testemunho intercultural”.

Por isso se torna perfeitamente com­preensível o modo como Costa Brites desenvolve esta ideia: “Cada janela representa para mim um pequeno palco, que permite a cada um de nós abrir-se a outros locais, e a uma nova e fecunda visão do mundo.”

Tradução: Renato Correia

Texto original:

 Jedes Fenster ein Bühne

José da Costa Brites stellt in der Volksbank Staufen aus

Eine gespenstische Atmosphäre lastet auf der Burgruine, unheimlich menschenleer erinnern Szenerien um das Freiburger Schwabentor oder in den romantisch-verträumten Seitengassen Staufens vielmehr an Geisterstädte: Kühl, fast schon steril wirken die Bilder und Gemãlde des Portugiesen José da Costa Brites durch ihre zeichnerische Exaktheit. Ob Striche oder geormetrische Formen – der Skizze eines Architekten gleich, scheint hier jedes Element akribisch genau berechnet und plaziert, nichts ist dem Zufall überlassen.

Auf den ersten Blick muten die detailgetreuen Darstellungen, die derzeit noch bis zum 23. Oktober in der Staufener Volksbank zu sehen sind, geradezu naturalistisch an: Unwillkürlich entsteht beim Betrachter die Assoziation einer Fotografie, wenn da nicht die teilweise etwas zu schrill gewahlten Farben wären …

Dabei springt dem Au8enstehenden mit ebenso vehementer Aufdringlichkeit die Ablehnung des Künstlers gegenüber einer solchen Interpretation sprichwörtlich ins Au­ge; will dieser in seimen Werken doch nicht die sinnlich wahrnehmbare Wirklichkeit, sondem vielmehr psychische Abläufe wiedergeben: Die Stadt als komplexes Bild seiner Weltsicht, eine Seelenlandschaft, in der der ehemalige Goethe-Student persönliche Erfahrungen mit dem hiesigen “kulturellen Klima” verarbeitet.

Seine in Acryl auf Leinwand gebannten Aussagen verschlüsselt der Maler auf vielfãltige Weise. So verfremdet er die reatistischen Motive durch die Verwendung greller Farbtöne sowie das bewu8te Hinzufügen oder Weglassen von Einzelheiten. Feinsinnig, zuweilen mit ironischen Untertönen, schafft der Portugiese symbolträchtig strukturelle und thematische Kontraste. Eine Eisenbahnbrücke versinnbildlicht die Spannung zwischen fortschreitender Technisierung im Widerstreit mit unberührter Natur. Schon in der bildlischen Umsetzung spiegelt sich ein lebhaftes Interesse an Architektur und Kultur wider. Darüber hinaus erklären da Costa Brites Kontakte zum Goethe-Institut sowie dessen frühere berufliche Tatigkeit als Diplom-Dolmetscher die rege Auseinandersetzung mit einern fremden Land sowie der dort vorherrschenden Mentalität.

Trotz düsterer Stimmungen sind seine Darstellungen von Optimismus und einer ganz eigenen Philosophie geprägt; steht die Stadt für ihn als ,,Ort des Friedens und des Zusammentreffens mit sich selbst”. Statt touristischen Eindrücken möchte er quasi in der Funktion eines Botschafters ein “interkulturelles Zeugnis” ablegen. So klingt es denn durchaus nachvollziehbar, wenn da Costa Bri­tes den Faden gedanklich weiterspinnt: ,,Jedes Fenster bedeutet für mich eine kleine Bühne, die es dem einzelnen ermõglicht, sich für andere Ortschaften und damit auch neue fruchtbare Weltsichten zu õffnen.”