Objectos de utilidade − recordações vivas da América de Sebastião de Matos Gomes

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Durante todo o tempo da minha vida tenho bebido por estes copos e cálices, como tantíssimas outras pessoas, a água ou o vinho do Porto.
Se há visitas notáveis é por eles que são servidos as bebidas, referindo sempre a origem dos objectos que, não tendo qualquer natureza de luxo requintado possuem, porém, o encanto magnífico de terem feito a longa, longa viagem…
Terão sido comprados no “Outlet”?…

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Estas ferramentas sobreviveram aos anos e a um uso intenso que delas fizeram várias gerações. Agora foram finalmente promovidas à categoria de recordações notáveis de família.
Há dois martelos que trabalharam imenso que estão sem cabo. O cabo do martelo do lado esquerdo ainda era o de origem. O outro não, por ser para trabalhos mais rudes.
O martelo que está debaixo da tesoura de podar (o meu avô era um hábil podador) era o martelo com que eu brincava em pequeno. Ostenta a marca: George Barnsley e o nº 2 do modelo.
Mas a melhor chave de canalizador que tenho ao meu serviço é aquela que ali se vê, e tem detalhes que comprovam a sua origem:

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A marca e o logótipo dos fabricantes (Bonney Stilson) e o local de origem (Allentown PA, Made in USA) são bem visíveis.

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Não faço a mínima ideia qual a natureza ou origem destas peças. Mas é um facto que vieram dos Estados Unidos.
Tendo meu avô estado enfermo em Leiria, no começo dos anos 50, foi tratado por um médico que era coleccionar de antiguidades e que lhe cobiçou as mesmas, de forma bastante insistente. Pagava o que fosse, dizia. Mas a estima do meu avô por essas jarrinhas de vidro leitoso derivava da mesma paixão saudosa que envolvia todas as recordações de Providence.
E o Senhor médico não conseguiu ficar com as jarrinhas de que tanto gostou…
Há entretanto um outro pormenor nesta imagem que merece referência: a colcha amarela de “borbotos” que pode ver-se, foi trazida de Providence em 1958, como uma das prendas da nossa tia Maria Pires, esposa de Joaquim Pires, e produzida na fábrica de lanifícios onde este ali trabalhava.

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Na bagagem de retorno da América veio todo o tipo de utensílios domésticos. Os talheres eram muito bonitos, mas tinham um inconveniente grave: exigiam uma limpeza muito cuidadosa, dado que o metal de que eram feitos oxidava de forma inconveniente e pouco saudável.
Foram sendo substituídos e caíram em desuso.
Estas colheres são das raríssimas que sobreviveram e aparecem aqui manchadas de cores: são as colheres com que mexo as minhas tintas de pintar!…
Quanto ao abre-latas, foi uma peça quase inútil em Cernache do Bonjardim, lugar onde não se consumiam alimentos enlatados!… A peça em si é outro testemunho eloquente das diferenças de hábitos e de estilos de vida entre Portugal e os Estados Unidos, lugar onde um abre-latas já era muito usado nesse tempo.

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Sempre que o meu avô necessitava de fazer um risco mais direito, usava esta régua. Mais tarde, ofereceu-ma, para as minhas coisas da escola. Como trazia a escala marcada em polegadas, foi-me de pouco uso, mas ainda a guardo como objecto de estimação.

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