Preâmbulo curto, que não é obrigatório ler, mas que tem algum interesse

Tenho tido nestes últimos tempos uma experiência de tal modo interessante no domínio do entendimento e das competências da criatividade artística, que não resisto ao desejo de falar dela.
Envolve a esfera das minhas relações afectivas e a utilidade de alguns saberes do exercício das artes, naquilo que este possa ter de muito abrangente, muito limpo, muito livre.
Do que se trata, ao fim ao resto, é de um convívio de criatividades bem dispostas e sem horário de um avô com o seu neto, ou seja, das vivências de um artista que julga que pode sê-lo com outro que não perde um segundo sequer com questionamentos de tal ordem.

A pessoa do meu neto não é entendida nestes escritos como “aquele sangue do meu sangue”, ressonância duma emoção afectiva que teria sentido, ou não, no primeiro instante em que o vi, por efeito de mola oculta no compartimento de instintos que não reconheço.
Se é que o entendo como pessoa é porque comecei a conhecê-lo como tal, empreendendo esse caminhar conjunto que constrói as verdadeiras amizades. Se entre nós salta a chispa da alegria quando nos vemos é porque nos necessitamos reciprocamente na visão do mundo e de nós mesmos, sem pensar em contrapartidas que não sejam as da simples presença em si, isentas da complexidade de destinos futuros.
Esse é, creio eu, o alicerce indispensável para cumplicidades essenciais de solidariedade e de alegria que fazem do homem o ser complexo mas capaz de verticalidade e lucidez.
Postas as coisas nestes termos, não seria muito sério fazer fincapé em coisas do estilo: “experiência na aplicação dos tempos livres na educação artística” ou “exploração psico-pedagógica das artes plásticas” e, acima de tudo, evitar tocar na solenidade da “arte infantil” como pano de fundo para um tão bem disposto convívio entre dois amigos que se divertem muito porque se entendem bem.
Se tais expressões são utilizadas de forma abundante no sub-título deste trabalho, peço desculpa aos visitantes. A minha experiência na blogosfera indica-me que são essas as palavras que devo referir para colocar o visitante na pista do que possa interessar, sem que da minha parte (e muito menos do Flávio, um artista meu amigo) haja quaisquer pretensões de teorização dispensável.
Em suma:
Do que se trata aqui é duma coisa tanto ou mais importante do que vem em sub-título, pelo menos para os interessados:

– dois amigos que brincam com coisas a que acham muita piada, que gostam de se sujar com materiais diversos e se riem imenso depois, na casa de banho, lavando as mãos e atirando água um ao outro!…

Sem qualquer preocupação ilustrativa dos textos aqui publicados, irão ser inseridas imagens relativas à autenticidade dos trabalhos produzidos (e que foi possível “salvar” de acordo com o que mais adiante se esclarecerá…). Junto de algumas imagens, alguns considerandos feitos pelo camarada mais velho.

007 p

Esta obra resultou de um momento de concentração do Flávio, perante um suporte em papel, utilizando pincel e tintas acrílicas de várias cores. Se falo de “concentração” é para salientar a importância da mesma em todas as experiências com crianças no domínio da elaboração plástica, como uma das conquistas fundamentais de todo o processo. Ela fará parte da aquisição de um auto-domínio com características especiais, de um “desejo de fazer” que obriga à chamada de várias capacidades da atenção, do gesto e, principalmente, da serenidade observativa.
Para aqueles que estão habituados a olhar peças de arte com sentido analítico, as manchas aqui configuradas quanto ao seu perfil, às suas modulações cromáticas e às intersecções ou sobreposições que evidenciam, demonstram uma autenticidade expressiva autêntica.
Tão autêntica, na sua verdade e na tensão interior que as anima, que poderiam figurar em qualquer exposição de artes plásticas ou galeria de pintura de vanguarda!

3 thoughts on “Preâmbulo curto, que não é obrigatório ler, mas que tem algum interesse

  1. Costa Brites

    Meu Querido Flávio, companheiro em artes várias e dilecto AMIGO, O Blog não é meu, é NOSSO e eu é que teria de te agradecer a luz clara que em ti participo e que de ti agora e sempre me ilumina. Beijam-te os teus Avós

    Responder

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