A utilização dos despojos da obra feita como forma de continuar brincando


utensílios:
Cola acrílica, secador de cabelo, tesoura sem pontas aguçadas, que sei eu…


Há outros materiais e ferramentas que encerram em si um certo mistério fascinante e virão fatalmente às nossas mãos. A cola e as tesouras, por exemplo. Uma resina acrílica adequadamente diluída em água que fica invisível e brilhante depois de seca é a nossa cola preferida.
No nosso caso houve um outro “aparelho mágico” que manipulámos abundantemente para tornar mais expedito o processo de secagem, por exemplo: um secador de cabelo!

Para quem passe por situações destas fica entretanto uma sugestão simples e prodigiosamente eficaz:
Segurando uma folha de papel, um A4 por exemplo, ligeiramente levantada e bem apoiada na mesa na outra ponta, temos um plano inclinado curvo, sem qualquer graça ou sentido imediato!
Se, contudo, injectarmos com o secador ar quente (ou frio, tanto faz) por debaixo da folha, ela fica animada duma energia vibratória que produz uma enorme alegria em qualquer criança!…

Se falo em capacidade estratégica na fabricação de acasos produtivos de boa disposição, este é o tipo de ensejos a não perder, como tantos outros já aqui mencionados.

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O comentário a este trabalho serve perfeitamente para descrever a inter actividade possível e desejável entre os participantes. O suporte é uma das nossas cartolinas coloridas, neste caso amarela (um aproveitamento volumoso de uma oportunidade “oferecida”, há anos já, por uma dessas inúmeras grandes superfícies). O ponto inicial do exercício/brincadeira foi-me confiado a mim: fazer bolas vermelhas!… O processo, que nunca é linear nem regular como aconselha uma comparticipação sempre activa, fornece um elemento sobre o qual o Flávio, por seu turno, intervém de forma bastante mais dinâmica. A sua especialidade é a de transgredir, animar ou desconstruir um alinhamento demasiado “estático” das bolas do artista mais velho e, logo, menos vital!… O resultado parece-me excelente e demonstra que o mesmo processo de elaboração pode resultar sempre de forma exemplar… se estiver presente essa condição (vulgar e insignificante ?) do génio “natural” das mãos duma criança!…

Cortar e colar papéis ou outros objectos entre si é sempre coisa apetitosa!…
No entanto, faz todo o sentido sujeitar a sequência dos nossos “trabalhos” ao aproveitamento dos desenhos e das pinturas feitos anteriormente.
De acordo com o que se disse acima, cada “obra” é normalmente sujeita a um ritual de “encerramento” que no caso do Flávio só com uma alguma subtileza da minha parte escapa à desaparição pura e simples.
Julgo que a substituição do processo da destruição traumática do objecto alcançado pela sua “metamorfose” é um ganho apreciável, porque inscreve na nova peça a memória dos gestos anteriores e os seus respectivos valores plásticos, elaboração essa já tolerada pelo Flávio, como resultante “apresentável” do nosso trabalho.

O que inicia um processo distinto do desenho ou da pintura, e nos permite entrar numa espécie de “manufactura”, geralmente de múltiplos semelhantes entre si, que a convenção das artes pode facilmente associar ao exercício da modelagem ou da escultura!…

Uma composição feita com recortes de materiais pintados por nós dois

Uma composição feita com recortes de materiais pintados por nós dois

O trabalho aqui apresentado é um aproveitamento dos já referidos “multiplos”, ou objectos da mesma natureza, reunidos sempre em quantidade significativa, passíveis dum processo de “entesouramento” ou “colecção” de afins, com uma designação oportuna, tanto podem ser diamantes, safiras ou rubis, como moedas de oiro, como planetas, eu sei lá.
Neste caso são coisas que fazemos às vezes de empreitada: bolas, por exemplo. Circulos sobrepostos, pintados, colados ou recortados, resultado da saborosa “destruição” desta ou daquela obra. Tais elementos são sempre guardados e renascem sempre através de outras brincadeiras, neste caso foram colados uns ao lado dos outros, numa cartolina de cor.
Se o observador notar uma espécie de “limpeza excessiva” no trabalho compositivo, pode ficar tranquilo: esse é um dos “processos de trabalho” mais bem tolerados pelo meu camarada mais novo: retira, por vezes, um certo gosto em remeter-se às funções de observador.
No que me diz respeito, condescendo em tornar mais operacionais as minhas funções porque vejo que elas, para além de estimularem certos desenvolvimentos da tarefa, fornecem um certo prazer contemplativo ao Flávio, elemento estimulante de algo de que já falei: o reforço da capacidade observativa e da “atenção”.

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